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Cooperativas debatem a Inovação e Sustentabilidade

A Serra Gaúcha foi palco da 18ª edição do Seminário Gaúcho do Cooperativismo, que iniciou nessa quinta-feira e teve encerramento na manhã de hoje (9/11), no Hotel Dall’Onder, em Bento Gonçalves. Com foco na busca de caminhos para um desenvolvimento cada vez mais sustentável e inovador nas cooperativas, dirigentes, docentes e representantes do movimento cooperativista debateram sobre o impacto da velocidade das mudanças nas áreas de atuação das cooperativas e a necessidade de que elas estejam integradas em uma economia colaborativa cada vez mais impulsionada por novas tecnologias.

Para o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, as cooperativas vivem um momento histórico que demanda atitudes inovadoras como condição de sua sustentabilidade. Ao saudar todos os presentes na abertura do evento, o dirigente destacou que as cooperativas constroem um mundo melhor porque estão alinhadas com o desenvolvimento sustentável. “As sociedades cooperativas impulsionam o desenvolvimento local e regional e, em tempos de crise, se unem e fazem uma enorme diferença em relação a outros tipos societários”, afirmou.

O presidente da entidade promotora do Seminário comentou sobre o relatório entregue aos participantes do evento. A produção traz uma compilação com 40 cases de inovação e sustentabilidade, desenvolvidos por cooperativas do Rio Grande do Sul. “As cooperativas gaúchas têm trilhado o caminho da Inovação e Sustentabilidade. Essa publicação entregue a vocês demonstra o papel das cooperativas na disseminação de práticas inovadoras, que impactam seus associados, colaboradores e as comunidades nas quais estão inseridas”, complementou.

Economias colaborativas

            Segundo o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, vivemos um momento de ruptura, de quebra de paradigmas e isso não é diferente no movimento cooperativista. “Dentro desse momento de rupturas as tendências são para economias mais colaborativas, para as inovações e as revoluções que vêm da base e o cooperativismo já sabe praticar isso com muita serenidade e competência. Basta ver os indicadores econômicos e sociais do cooperativismo regional, que em pleno momento de crise do País e do RS, foram as cooperativas que sustentaram o desenvolvimento do Estado”, comentou Freitas.

“O futuro depende de nós e se nós queremos um futuro melhor vamos construir juntos. E a melhor ferramenta para talhar esse futuro com valores, princípios e ideais, sem dúvida nenhuma é o cooperativismo”, disse.

Cooperativismo: A Grande Força do Rio Grande

            Representando o Governo do RS, o secretário de Estado da Fazenda, Luiz Antônio Bins, ressaltou a participação do cooperativismo no desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul. “O cooperativismo gaúcho conta com mais de 60 mil servidores, um sistema que gera um faturamento da ordem de U$ 25 bilhões por ano, representa mais de 5% do PIB do RS e gera cerca de R$ 400 milhões de arrecadação de ICMS por ano”, afirmou Bins.

            Abertura

            Na composição da mesa de abertura estiveram presentes também os diretores da Ocergs, Darci Hatmann, Irno Pretto, Margaret Garcia da Cunha, Valdir Feller, Roberto Brezolin, Erineo Hennemann; o secretário de Turismo de Bento Gonçalves, Rodrigo Parisotto e o representante do ramo Crédito, Heitor Alvaro Petry, da Central Sicredi Sul/Sudeste.

            Inovação

O coordenador do CriaLab – Tecnopuc e da Rede InovaPUCRS, Luis Humberto de Mello Villwock, falou sobre os desafios para o sistema cooperativista do RS em criatividade e inovação. Villwock apresentou 40 referências bibliográficas para os 40 cases do Seminário enquanto trazia dados sobre a velocidade de mudanças, a economia colaborativa, novas tecnologias e o papel das cooperativas na inovação. O palestrante afirmou que no futuro não teremos mais empregos, mas nunca deixaremos de ter trabalho, e que o cooperativismo já está preparado para esse futuro. “Vivemos num mundo de redes, antes centralizadas num mundo de poder e agora descentralizadas. O sistema cooperativismo já nasceu nesse contexto mais atual”, afirma.

Impacto da inovação nas cooperativas

Após a palestra sobre Inovação, o Seminário recebeu um painel que tratou a forma como a inovação tem impactado a atuação das cooperativas gaúchas, com a participação das cooperativas CCGL, Sicredi e Unimed. O superintendente da CCGL, Guilherme Enrique Dawson Junior, abordou a inovação no setor agropecuário, O diretor executivo de tecnologia da informação do Sicredi, Volmar Machado, apresentou a forma que o Sicredi está evoluindo em relação as novas tecnologias e os avanços nos processos da cooperativa em transformação digital, e o vice-presidente de Integração e Relações Estaduais da Unimed/RS, Jorge Antonio Martines, trouxe alguns avanços da inovação na área do cooperativismo médico, com destaque para o modelo assistencial colaborativo e as questões de robótica.

9 de novembro

O segundo dia do 18º Seminário Gaúcho do Cooperativismo iniciou com a apresentação dos resultados das discussões realizadas na tarde de ontem (8/11) pelos Grupos de Trabalho que abordaram os temas sustentabilidade, energias renováveis, interação cooperativa e startups, logística e rastreabilidade e tecnologia na produção agropecuária.

O cooperativismo do futuro

A palestra de encerramento do Seminário foi proferida pelo presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, que discorreu sobre as mudanças do mundo, o futuro da sociedade e o papel do cooperativismo nesse cenário, além de exemplos de sucesso do cooperativismo de diferentes regiões do País. “O futuro que teremos é o que construiremos juntos. E para isso temos que estar seguros das nossas posições. Toda disruptura tem efeito colateral, mas as mudanças só acontecem quando temos coragem de enfrentá-las”, alertou.

A partir desse cenário, Freitas destacou ainda o diferencial do cooperativismo como modelo econômico e social cada vez mais sustentável e inovador. “Nós somos cooperativa e temos que marcar essa diferença. Nosso grande fator inovador é usar a tecnologia, mas nos temos que valorizar essa diferença de ser organização de gente e não de capital. Nosso negócio é gente”, vibrou.

Por fim, apresentou o movimento nacional que foi lançado em 2017, SomosCoop. “Esse é um movimento de autoestima e orgulho cooperativista. Se todos assumirmos isso, construiremos um cenário e ambiente cada vez melhor. Nós merecemos um mundo melhor e o cooperativismo pode fazer isso”, finalizou.

DNA Cooperativista

Ao encerrar o evento, o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS agradeceu a todos e elogiou os projetos apresentados, além de propor um desafio para a próxima edição deste evento: “Que em 2020 nós prestemos conta de todos os projetos que foram apresentados aqui”.  E concluiu afirmando que nosso DNA é a união, e nossa proposta é a cooperação.